O Congresso

A Terra enfrenta uma das piores crises ambientais da sua história. Estima-se que a taxa de extinção de animais vertebrados hoje seja 114 vezes maior do que em outros períodos e rivaliza com a última grande crise planetária há 65 milhões de anos, quando os dinossauros desapareceram. É consenso entre os cientistas que tal cenário está sendo provocado pelas ações impensadas da humanidade, como a destruição dos habitats e a exploração excessiva dos recursos naturais, e potencializado pela desconexão das pessoas com a natureza. Afinal, vivemos em um mundo cada vez mais urbano. Isso significa que a vida selvagem depende quase totalmente de cuidados humanos para manter a sua diversidade e, com esperança, recuperar as áreas que o avanço das nossas cidades e atividades está tirando dos outros animais. Dentro deste contexto, os zoológicos e aquários emergem como ferramentas essenciais na conservação das espécies e conexão dos visitantes tanto com os animais quanto com os problemas que estes enfrentam no ambiente natural.

O Brasil possui 182 zoológicos e aquários, mas apesar dos esforços consideráveis pela conservação em muitas instituições, o manejo de espécies visando populações geneticamente saudáveis e que possam ajudar as existentes na natureza ainda permanece deficiente, com os registros genealógicos e programas conservacionistas de animais nativos funcionando melhor no exterior do que dentro do próprio país. Muitas vezes, a raiz deste problema está na ausência de integração e falhas de comunicação entre os zoos e mesmo órgãos competentes, assim como em concepções antigas das equipes técnicas, que podem ser sanadas com capacitação e atualização do conhecimento.

É perante a esta problemática que a Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB) e a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) lançam a temática do 42° Congresso da SZB, “Zoos e Aquários: E se formos um só? Manejo integrado pela conservação”. O objetivo é motivar a integração e comunicação entre as instituições do país, discutindo a urgente necessidade de manejarmos as populações de animais sob nossos cuidados de acordo com registros genealógicos internacionais e regionais vigentes, e, também, pelo uso de novas biotecnologias disponíveis.

O congresso será realizado na cidade de Brasília/DF, no Estádio Mané Garrincha, no período de 04 a 07 de abril de 2018 e irá reunir profissionais, estudantes, instituições e órgãos competentes não apenas do Brasil, mas de todo o mundo, mobilizando essa necessária mudança de paradigma no país. Nas palavras do célebre biólogo Russell Mittermeier, vice-presidente da Conservation International, é preciso ver "a natureza e o cativeiro não como construções separadas, mas como um processo contínuo através do qual todos devemos trabalhar para alcançar o sucesso na conservação a longo prazo."

 

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